Tecnologias sociais: o que são e como funcionam os banheiros secos?

O Brasil sofre de um problema crônico de saneamento. Apesar de todos os avanços tecnológicos e sociais dos últimos anos, milhões de brasileiros continuam sem acesso a serviços básicos de água e esgoto. Essa situação é ainda mais crítica em regiões como o semiárido, onde o acesso a água e saneamento apresenta desafios adicionais como o clima e a falta de infraestrutura pública.

Além dos esforços dos governos federal, estadual e municipal, muitas organizações da sociedade civil trabalham junto a comunidades locais para amenizar alguns desses problemas. Uma das contribuições dessas entidades são as chamadas tecnologias sociais, caracterizadas como produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas em interação com a comunidade, e que representem efetivas soluções de transformação social.

Uma dessas tecnologias sociais são os banheiros secos.

Como funciona o banheiro seco

O banheiro seco — também conhecido com sanitário de compostagem — é um sistema sanitário que dispensa o uso de água, de energia elétrica e de produtos químicos. Seu funcionamento vem da ação térmica solar: o processo de tratamento baseia-se na desidratação da urina e do material fecal humano. Tradicionalmente, o banheiro seco é uma edificação de alvenaria que usa o processo natural de decomposição e evaporação para reciclar o material fecal. O resíduo que entra no sanitário tem mais de 90% de água, que é evaporada e transportada de volta para atmosfera através de um sistema de aquecimento e ventilação. A pequena quantidade de material sólido restante é convertida, por decomposição, em fertilizante natural.

O equilíbrio correto entre oxigênio, umidade, calor e material orgânico é necessário para garantir um ambiente rico para as bactérias aeróbias que transformam os resíduos em fertilizante. Isso garante uma completa decomposição de resíduos, que faz com o material fecal humano seja devidamente compostado e fique livre de qualquer patógeno ou vírus, que são destruídos por decomposição bacteriana. O resultado final é um fertilizante rico em nutrientes que pode ser usado em plantas ou em torno da base de árvores, reduzindo a necessidade de fertilizantes comerciais e preservando a qualidade da água local.

O banheiro seco industrial

O Instituto Modal inovou ao projetar um banheiro seco industrial, produzido pela Tecnipar Ambiental. O projeto possibilitou otimizar o processo natural utilizado pelo banheiro de alvenaria, melhorando a eficiência e trazendo vários benefícios adicionais.

Dentre as melhorias implementadas, foi utilizada uma câmara de secagem que potencializa a ação solar e elimina os odores advindos do processo. Além disso, o modelo industrial proporciona um ambiente mais digno, confortável, com maior durabilidade, facilidade de limpeza e de rápida instalação — no máximo 3 horas, enquanto o banheiro seco de alvenaria leva em média uma semana para ser construído. Outro ponto positivo é que a solução industrial promove mobilização social com um custo baixo de implementação.

No entanto, o maior benefício do banheiro seco industrial é a possibilidade de trazer dignidade e melhoria da qualidade de vida para milhares de pessoas no semiárido brasileiro.

Welington Evangelista é graduado em Ciência a Computação pela Universidade Católica de Brasília e possui MBA em Logística, Transporte e Mobilidade pelo CIT. Atualmente é Diretor Administrativo-financeiro no Instituto Modal.

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